terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mais um ano sem você

Não sei se faz 15 ou 16 anos.
Só sei que a saudade continua aqui.
Dolorida e seca e de pele cinza.

Nunca esperei e nem quis que ela partisse.
Mas esperava que se transformasse
numa lembrança doce como diziam médiuns iluminados,
repletos de si e de luz.

Mas a verdade é que fui só eu quem mudou.

Fui eu quem perdeu o viço e o gosto.
Foi a mim que o tempo transformou
em algo sem graça e sem fé.
E mais e depois da saudade, veio o medo.

Sempre o medo
de perder.
Mais alguém.

Que levaria consigo
o pouco que resta de mim.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A praça

Se você me perguntar o que vejo nessa praça.
direi que não são apenas flores e pássaros.

É minha infância que corre por estas alamedas.
Pula nestes bancos. Cruza esbaforida a ponte do lago.

Se você me perguntar o que vejo nessa praça.
Direi que é um joelho ralado e algodão doce.
Um beijo. Outro beijo e muitos beijos.

O que eu vejo nessa praça? Eu mesmo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Você agora (1 ano e meio)

Eu sei que sempre terei seu olhos.

Quando acordar a saudade que nunca dorme.
Eles me falarão de você.
E contarão histórias antigas de um Antônio que ficou lá atrás.

A cada dia você muda um pouco.
A cada dia você cresce e aprende e faz coisas mais difíceis.
Tudo tão depressa. Depressa demais.

E esse Antônio de hoje? Como poderei viver sem você, como você é agora?

Sempre terei o você de amanhã para esperar.
O você de agora para amar.
E o você de ontém para sentir saudade.

Todas as versões de você

Eu sei que eu vou te amar para sempre e cada vez mais.
Mas também sei que vou sentir muita saudade de você, como você é agora.

E isso me entristece.
De uma tristeza tão desoladora que cai do ninho sem saber voar.

Você recém-nascido. Você bebê engatinhando. Você aprendendo a andar já correndo
Você me chamando: “Papá!” - assim sem o "i" e cheio de exclamação.
Todos os Antônios que virão antes do Antônio adulto. Do Antônio final.

Todos eles passarão por mim deixando marcas tão profundas
e uma saudade tão incurável que somente seus olhos
- os únicos guardiões de todas as versões de você - poderão confortar.

Papá!

Mesmo quando ainda não era gente, eu sempre soube que te amaria.

Sabia que esse amor seria imenso, irremediável, indescritível, intenso
e de uma ternura que só se vê nos contos de Natal.
Só não sabia que a sede de estar com você não saciaria nunca.
Que seu sorriso sem nenhum dente deixaria tanta saudade.
Que ouvir me chamando “Papá!” sem a letra i, cheio de exclamação e bracinhos para cima - pudesse criar um turbilhão de alegria dentro de mim.

E que seus olhinhos escuros trariam toda a doçura que existe nesse mundo multiplicada daqui até o infinito.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

1 aninho

Faz 1 ano que você chegou.
Trazendo seu gênio bom,
sua risada fácil, sua saúde de Touro
e muita fome por comida e tudo ao redor.

Faz 1 ano que você veio
Mostrando que uma vida boa, pode ser melhor.
Que o amor se multiplica até o infinito.
E que existem sentimentos que não se traduzem em palavra alguma.

Hoje, faz 1 ano que você nasceu.
E parece que nossa vida inteira nunca existiu antes disso.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Passarinho piu-piu (para Antônio)

Passarinho piu-piu
Tão feliz já se viu
Foi cantar lá no rio
Uma estrela subiu

Passarinho piu-piu
Todo mundo ouviu
Foi cantar lá no rio
O Antônio sorriu

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Frágil

Havia um sonho.
Em forma de um passarinho tão miudinho.
Tão repleto de cor e coragem
e pernas fininhas de gravetos.

Um sonhozinho irriquieto e curioso.
Levinho, frágil e,
afortunado que era,
desprovido de consciência ou memória.
E como cantava o pequenino.

Sim, havia um sonho.
Mas quando chegou até mim,
não voava mais.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Nada é igual

Nenhuma tristeza é mais assim tão triste
depois da sua despedida entre sonhos.
Nenhuma alegria é mais a mesma agora que tua ausência persiste
endurecida e fria e repleta de desejos violentados

As cores, envelheceram-se todas.
Os ovos apodreceram nos ninhos.
A esperança infantil, lilás e cheia de música.
Ela foi a primeira a se transformar num episódio cafona e deprimente.

Sobrou um não sei o quê de tocar a vida. De ir em frente.

De saber que a esperança não passa de um pequenino hiato.
E que a vida é um espetáculo
num circo decadente de picadeiro enlameado
com um final escuro a espreitar.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Antes do feriado

Levanta daí, vem dançar.
A vida é boa pode acreditar.
Que tudo acontece.
Que a tristeza esquece
do seu coração só atormentar.

Force um sorriso, você vai ver.
A música toca, começa a ferver.
Seu corpo responde começa a rodar.
Sempre tem algo de que se orgulhar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Lá do ninho

Quem olha do alto
Mal vê o asfalto
Mal enxerga a formiga
Que vai e que vem

Quem fica lá em cima
Não fita a rotina
Que rola na rua
Dia sim, outro também

Quem sobe e não desce
Nem vê o que acontece
Não brinca na areia
Nem gosta de alguém

Só fica sozinho
Com tédio e seu ninho
Pensando nas coisas
que vai ficar sem

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Memórias endurecidas

Onde estava quando mais precisei?
Por onde andava quando a noite chegou
e a neve bloqueou a porta?

A lareira há muito se apagou.
E sem uma única madeira
o frio cortante se tornou minha companhia.

A dispensa está vazia, a água congelou na torneira
e eu não me lembro mais do seu rosto.
Tento abrir um sorriso sarcástico,
mas minha boca arde e sangra.

Agora não importa mais
porque no fundo eu sempre soube.

Ninguém daria pela falta
desse corpo débil e dessa mente velha, mal cheirosa.
Ninguém tentaria enfrentar essa tormenta.
Afinal, fui eu quem se isolou do mundo. Fui eu, não foi?

Ninguém ousaria encarar este rosto
e as lembranças que dele despertariam.
Eu sabia... ninguém se jamais se importaria.
Por isso, morri.

12 anos

Não, ele não foi famoso.
Ele não foi astro da TV,
nem celebridade do futebol como queria.

Mas o filho amado.
O irmão preferido.
O melhor amigo.
Ele era tudo isso muito antes de partir.

Ele foi o que deu o melhor de si. O que amava música sertaneja e festa de peão.
Ele foi o que correu atrás do sonho. E foi o que encarou a realidade quando não conseguiu alcançá-lo.

Ele foi o que não teve medo de ser pai tão jovem.
Foi o que não sentiu vergonha de trocar o gramado pelo caixa das Americanas.
Ele foi aquele que mereceu cada abraço, dedicatória e consideração que recebeu.

Não, ele não foi famoso dessa fama supérflua e ôca.

Ele foi o que o tempo não apaga.
O que a distância não enfraquece.
O que a velhice não esmaece.
Ele foi e vai continuar sendo o irmão e amigo que nunca vou esquecer.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tenha medo das pessoas que fazem do trabalho a sua casa.

Tenha medo das pessoas que fazem do trabalho a sua casa.
Por fazer de um simples emprego a sua vida inteira
elas jamais vão perdoar quem faz do trabalho uma parte apenas.

Afaste-se de pessoas que negligenciam a própria vida,
e fazem da sua rotina um espetáculo digno do mais miserável indigente
Elas não se importam nem com seus filhos, nem com elas mesmas,
quanto menos com você e pessoas da nossa gente.

E, se você como eu,
Adora passear com o cachorro
Tem um grande amor esperando.
Gosta de ar livre e de voltar para casa.
Elas vão odiar e invejar ainda mais

Porque você, com sua vida.
faz com que esse tipo de gente,
se lembre da sua infelicidade. Do seu fracasso.
Das noites e fins de semanas – sempre vazios.
únicos a esperar por sua chegada.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Da mãe para o filho

Fui eu quem te amou primeiro.

Antes que máquinas soubessem da sua presença.
Antes que se tornasse certeza.
Antes que fosse humano
eu já o sentia com clareza.

Foram meus órgãos que abriram espaço
para o seu corpo em mim habitar.
Foi minha vida que parou para a sua vida caminhar.

Fui eu que para você cantava
mesmo antes que me ouvir pudesse.
E como com toda mãe acontece
noites de dormir se tornaram noites de sonhar contigo.
E hoje que está aqui comigo,
imagino se lembras desse passado:

nossas conversas. As cantigas. A noite em branco. O sonho acordado.

E quando tiver andado
um bom tanto nos anos da tua vida.
Só desejo que uma certeza
cresça forte em sua mente.

Fui eu quem te amou primeiro. Fui eu quem te amou mais. Fui eu quem te amou para sempre.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Antônio

Me apaixonei assim que chegaste.
E por mais que já imaginasse, a cada dia sinto que sou mais seu e você mais meu.

A doçura nos seus olhos, a felicidade no seu sorriso, a paz no seu sono.

Tudo o que vem de você me emociona com a força de todas as ondas do mar.
Volta logo meu reizinho. Papai sofre a esperar.

domingo, 28 de junho de 2009

Sem você

Sem você eu sou um nada.
A porta fecha.
O céu desaba.
Sem vão, nem brecha a voz se cala.

Sem você eu não existo.
O doce fica azedo. O riso, dolorido.
Sob a dor da tua ausência
até segundos são compridos.

Quando você vai.
Meu mundo inteiro vai contigo.
A graça se perde não se acha.
Nenhuma sombra dá abrigo.

As cores, apagaram-se todas.
Tudo o que é música silenciou.
O sangue gela. A vida seca.
Sem você é assim que eu sou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Epitáfio

O que você vê quando se olha no espelho?
O que você sente quando se encara de frente sem máscaras, sem subterfúgios, sem cenário algum?

Nem brilhante, nem estúpido, nem bonito, nem feio.
Nem louco e nem são.
Meu reflexo oscila num meio termo desinteressante e morno.
Minha presença é comum e pálida. Minha conversa, cansativa e previsível.

Nenhuma casa se sentirá vazia quando eu me for porque minha presença jamais preencheu espaço algum.

Nunca fui o filho preferido ou o neto predileto.
Só fui uma criança calada que nunca soube jogar futebol.
Só fui passando silencioso e despercebido.
Só fui eu mesmo.
Um a mais entre tantos. Mais um entre muitos.

Vazio

Não adianta bater,
não há mais ninguém aqui dentro.
Todos se foram
levando o brilho que em meus olhos habitava.

Pra onde e por quê, ninguém soube.
Meu Deus, onde foi que perdí-me?

Antigamente havia qualquer coisa de cintilante.
uma aura, morna e clara e irresistivelmente tola.
Haviam sonhos e histórias inventadas.
Havia?
Não sei mais.

Em cartaz

Não, não haviam luzes.
Havia apenas eu no palco.

Na escuridão, gesticulei minha história.
Entre murmúrios, declamei meu texto.

Mas apagaram-se as luzes todas.
E era eu que encenava.
Era meu coração nunca antes revelado.
Eram meus sonhos. Bobos, infantis, impossíveis, mas meus.

Era eu transformando em palavras o que meus olhos sempre quiseram dizer.

Era eu em cartaz, mas ninguém viu.

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