Havia um sonho.
Em forma de um passarinho tão miudinho.
Tão repleto de cor e coragem
e pernas fininhas de gravetos.
Um sonhozinho irriquieto e curioso.
Levinho, frágil e,
afortunado que era,
desprovido de consciência ou memória.
E como cantava o pequenino.
Sim, havia um sonho.
Mas quando chegou até mim,
não voava mais.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Nada é igual
Nenhuma tristeza é mais assim tão triste
depois da sua despedida entre sonhos.
Nenhuma alegria é mais a mesma agora que tua ausência persiste
endurecida e fria e repleta de desejos violentados
As cores, envelheceram-se todas.
Os ovos apodreceram nos ninhos.
A esperança infantil, lilás e cheia de música.
Ela foi a primeira a se transformar num episódio cafona e deprimente.
Sobrou um não sei o quê de tocar a vida. De ir em frente.
De saber que a esperança não passa de um pequenino hiato.
E que a vida é um espetáculo
num circo decadente de picadeiro enlameado
com um final escuro a espreitar.
depois da sua despedida entre sonhos.
Nenhuma alegria é mais a mesma agora que tua ausência persiste
endurecida e fria e repleta de desejos violentados
As cores, envelheceram-se todas.
Os ovos apodreceram nos ninhos.
A esperança infantil, lilás e cheia de música.
Ela foi a primeira a se transformar num episódio cafona e deprimente.
Sobrou um não sei o quê de tocar a vida. De ir em frente.
De saber que a esperança não passa de um pequenino hiato.
E que a vida é um espetáculo
num circo decadente de picadeiro enlameado
com um final escuro a espreitar.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Antes do feriado
Levanta daí, vem dançar.
A vida é boa pode acreditar.
Que tudo acontece.
Que a tristeza esquece
do seu coração só atormentar.
Force um sorriso, você vai ver.
A música toca, começa a ferver.
Seu corpo responde começa a rodar.
Sempre tem algo de que se orgulhar.
A vida é boa pode acreditar.
Que tudo acontece.
Que a tristeza esquece
do seu coração só atormentar.
Force um sorriso, você vai ver.
A música toca, começa a ferver.
Seu corpo responde começa a rodar.
Sempre tem algo de que se orgulhar.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Lá do ninho
Quem olha do alto
Mal vê o asfalto
Mal enxerga a formiga
Que vai e que vem
Quem fica lá em cima
Não fita a rotina
Que rola na rua
Dia sim, outro também
Quem sobe e não desce
Nem vê o que acontece
Não brinca na areia
Nem gosta de alguém
Só fica sozinho
Com tédio e seu ninho
Pensando nas coisas
que vai ficar sem
Mal vê o asfalto
Mal enxerga a formiga
Que vai e que vem
Quem fica lá em cima
Não fita a rotina
Que rola na rua
Dia sim, outro também
Quem sobe e não desce
Nem vê o que acontece
Não brinca na areia
Nem gosta de alguém
Só fica sozinho
Com tédio e seu ninho
Pensando nas coisas
que vai ficar sem
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Memórias endurecidas
Onde estava quando mais precisei?
Por onde andava quando a noite chegou
e a neve bloqueou a porta?
A lareira há muito se apagou.
E sem uma única madeira
o frio cortante se tornou minha companhia.
A dispensa está vazia, a água congelou na torneira
e eu não me lembro mais do seu rosto.
Tento abrir um sorriso sarcástico,
mas minha boca arde e sangra.
Agora não importa mais
porque no fundo eu sempre soube.
Ninguém daria pela falta
desse corpo débil e dessa mente velha, mal cheirosa.
Ninguém tentaria enfrentar essa tormenta.
Afinal, fui eu quem se isolou do mundo. Fui eu, não foi?
Ninguém ousaria encarar este rosto
e as lembranças que dele despertariam.
Eu sabia... ninguém se jamais se importaria.
Por isso, morri.
Por onde andava quando a noite chegou
e a neve bloqueou a porta?
A lareira há muito se apagou.
E sem uma única madeira
o frio cortante se tornou minha companhia.
A dispensa está vazia, a água congelou na torneira
e eu não me lembro mais do seu rosto.
Tento abrir um sorriso sarcástico,
mas minha boca arde e sangra.
Agora não importa mais
porque no fundo eu sempre soube.
Ninguém daria pela falta
desse corpo débil e dessa mente velha, mal cheirosa.
Ninguém tentaria enfrentar essa tormenta.
Afinal, fui eu quem se isolou do mundo. Fui eu, não foi?
Ninguém ousaria encarar este rosto
e as lembranças que dele despertariam.
Eu sabia... ninguém se jamais se importaria.
Por isso, morri.
12 anos
Não, ele não foi famoso.
Ele não foi astro da TV,
nem celebridade do futebol como queria.
Mas o filho amado.
O irmão preferido.
O melhor amigo.
Ele era tudo isso muito antes de partir.
Ele foi o que deu o melhor de si. O que amava música sertaneja e festa de peão.
Ele foi o que correu atrás do sonho. E foi o que encarou a realidade quando não conseguiu alcançá-lo.
Ele foi o que não teve medo de ser pai tão jovem.
Foi o que não sentiu vergonha de trocar o gramado pelo caixa das Americanas.
Ele foi aquele que mereceu cada abraço, dedicatória e consideração que recebeu.
Não, ele não foi famoso dessa fama supérflua e ôca.
Ele foi o que o tempo não apaga.
O que a distância não enfraquece.
O que a velhice não esmaece.
Ele foi e vai continuar sendo o irmão e amigo que nunca vou esquecer.
Ele não foi astro da TV,
nem celebridade do futebol como queria.
Mas o filho amado.
O irmão preferido.
O melhor amigo.
Ele era tudo isso muito antes de partir.
Ele foi o que deu o melhor de si. O que amava música sertaneja e festa de peão.
Ele foi o que correu atrás do sonho. E foi o que encarou a realidade quando não conseguiu alcançá-lo.
Ele foi o que não teve medo de ser pai tão jovem.
Foi o que não sentiu vergonha de trocar o gramado pelo caixa das Americanas.
Ele foi aquele que mereceu cada abraço, dedicatória e consideração que recebeu.
Não, ele não foi famoso dessa fama supérflua e ôca.
Ele foi o que o tempo não apaga.
O que a distância não enfraquece.
O que a velhice não esmaece.
Ele foi e vai continuar sendo o irmão e amigo que nunca vou esquecer.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Tenha medo das pessoas que fazem do trabalho a sua casa.
Tenha medo das pessoas que fazem do trabalho a sua casa.
Por fazer de um simples emprego a sua vida inteira
elas jamais vão perdoar quem faz do trabalho uma parte apenas.
Afaste-se de pessoas que negligenciam a própria vida,
e fazem da sua rotina um espetáculo digno do mais miserável indigente
Elas não se importam nem com seus filhos, nem com elas mesmas,
quanto menos com você e pessoas da nossa gente.
E, se você como eu,
Adora passear com o cachorro
Tem um grande amor esperando.
Gosta de ar livre e de voltar para casa.
Elas vão odiar e invejar ainda mais
Porque você, com sua vida.
faz com que esse tipo de gente,
se lembre da sua infelicidade. Do seu fracasso.
Das noites e fins de semanas – sempre vazios.
únicos a esperar por sua chegada.
Por fazer de um simples emprego a sua vida inteira
elas jamais vão perdoar quem faz do trabalho uma parte apenas.
Afaste-se de pessoas que negligenciam a própria vida,
e fazem da sua rotina um espetáculo digno do mais miserável indigente
Elas não se importam nem com seus filhos, nem com elas mesmas,
quanto menos com você e pessoas da nossa gente.
E, se você como eu,
Adora passear com o cachorro
Tem um grande amor esperando.
Gosta de ar livre e de voltar para casa.
Elas vão odiar e invejar ainda mais
Porque você, com sua vida.
faz com que esse tipo de gente,
se lembre da sua infelicidade. Do seu fracasso.
Das noites e fins de semanas – sempre vazios.
únicos a esperar por sua chegada.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Da mãe para o filho
Fui eu quem te amou primeiro.
Antes que máquinas soubessem da sua presença.
Antes que se tornasse certeza.
Antes que fosse humano
eu já o sentia com clareza.
Foram meus órgãos que abriram espaço
para o seu corpo em mim habitar.
Foi minha vida que parou para a sua vida caminhar.
Fui eu que para você cantava
mesmo antes que me ouvir pudesse.
E como com toda mãe acontece
noites de dormir se tornaram noites de sonhar contigo.
E hoje que está aqui comigo,
imagino se lembras desse passado:
nossas conversas. As cantigas. A noite em branco. O sonho acordado.
E quando tiver andado
um bom tanto nos anos da tua vida.
Só desejo que uma certeza
cresça forte em sua mente.
Fui eu quem te amou primeiro. Fui eu quem te amou mais. Fui eu quem te amou para sempre.
Antes que máquinas soubessem da sua presença.
Antes que se tornasse certeza.
Antes que fosse humano
eu já o sentia com clareza.
Foram meus órgãos que abriram espaço
para o seu corpo em mim habitar.
Foi minha vida que parou para a sua vida caminhar.
Fui eu que para você cantava
mesmo antes que me ouvir pudesse.
E como com toda mãe acontece
noites de dormir se tornaram noites de sonhar contigo.
E hoje que está aqui comigo,
imagino se lembras desse passado:
nossas conversas. As cantigas. A noite em branco. O sonho acordado.
E quando tiver andado
um bom tanto nos anos da tua vida.
Só desejo que uma certeza
cresça forte em sua mente.
Fui eu quem te amou primeiro. Fui eu quem te amou mais. Fui eu quem te amou para sempre.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Antônio
Me apaixonei assim que chegaste.
E por mais que já imaginasse, a cada dia sinto que sou mais seu e você mais meu.
A doçura nos seus olhos, a felicidade no seu sorriso, a paz no seu sono.
Tudo o que vem de você me emociona com a força de todas as ondas do mar.
Volta logo meu reizinho. Papai sofre a esperar.
E por mais que já imaginasse, a cada dia sinto que sou mais seu e você mais meu.
A doçura nos seus olhos, a felicidade no seu sorriso, a paz no seu sono.
Tudo o que vem de você me emociona com a força de todas as ondas do mar.
Volta logo meu reizinho. Papai sofre a esperar.
domingo, 28 de junho de 2009
Sem você
Sem você eu sou um nada.
A porta fecha.
O céu desaba.
Sem vão, nem brecha a voz se cala.
Sem você eu não existo.
O doce fica azedo. O riso, dolorido.
Sob a dor da tua ausência
até segundos são compridos.
Quando você vai.
Meu mundo inteiro vai contigo.
A graça se perde não se acha.
Nenhuma sombra dá abrigo.
As cores, apagaram-se todas.
Tudo o que é música silenciou.
O sangue gela. A vida seca.
Sem você é assim que eu sou.
A porta fecha.
O céu desaba.
Sem vão, nem brecha a voz se cala.
Sem você eu não existo.
O doce fica azedo. O riso, dolorido.
Sob a dor da tua ausência
até segundos são compridos.
Quando você vai.
Meu mundo inteiro vai contigo.
A graça se perde não se acha.
Nenhuma sombra dá abrigo.
As cores, apagaram-se todas.
Tudo o que é música silenciou.
O sangue gela. A vida seca.
Sem você é assim que eu sou.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Epitáfio
O que você vê quando se olha no espelho?
O que você sente quando se encara de frente sem máscaras, sem subterfúgios, sem cenário algum?
Nem brilhante, nem estúpido, nem bonito, nem feio.
Nem louco e nem são.
Meu reflexo oscila num meio termo desinteressante e morno.
Minha presença é comum e pálida. Minha conversa, cansativa e previsível.
Nenhuma casa se sentirá vazia quando eu me for porque minha presença jamais preencheu espaço algum.
Nunca fui o filho preferido ou o neto predileto.
Só fui uma criança calada que nunca soube jogar futebol.
Só fui passando silencioso e despercebido.
Só fui eu mesmo.
Um a mais entre tantos. Mais um entre muitos.
O que você sente quando se encara de frente sem máscaras, sem subterfúgios, sem cenário algum?
Nem brilhante, nem estúpido, nem bonito, nem feio.
Nem louco e nem são.
Meu reflexo oscila num meio termo desinteressante e morno.
Minha presença é comum e pálida. Minha conversa, cansativa e previsível.
Nenhuma casa se sentirá vazia quando eu me for porque minha presença jamais preencheu espaço algum.
Nunca fui o filho preferido ou o neto predileto.
Só fui uma criança calada que nunca soube jogar futebol.
Só fui passando silencioso e despercebido.
Só fui eu mesmo.
Um a mais entre tantos. Mais um entre muitos.
Vazio
Não adianta bater,
não há mais ninguém aqui dentro.
Todos se foram
levando o brilho que em meus olhos habitava.
Pra onde e por quê, ninguém soube.
Meu Deus, onde foi que perdí-me?
Antigamente havia qualquer coisa de cintilante.
uma aura, morna e clara e irresistivelmente tola.
Haviam sonhos e histórias inventadas.
Havia?
Não sei mais.
não há mais ninguém aqui dentro.
Todos se foram
levando o brilho que em meus olhos habitava.
Pra onde e por quê, ninguém soube.
Meu Deus, onde foi que perdí-me?
Antigamente havia qualquer coisa de cintilante.
uma aura, morna e clara e irresistivelmente tola.
Haviam sonhos e histórias inventadas.
Havia?
Não sei mais.
Em cartaz
Não, não haviam luzes.
Havia apenas eu no palco.
Na escuridão, gesticulei minha história.
Entre murmúrios, declamei meu texto.
Mas apagaram-se as luzes todas.
E era eu que encenava.
Era meu coração nunca antes revelado.
Eram meus sonhos. Bobos, infantis, impossíveis, mas meus.
Era eu transformando em palavras o que meus olhos sempre quiseram dizer.
Era eu em cartaz, mas ninguém viu.
Havia apenas eu no palco.
Na escuridão, gesticulei minha história.
Entre murmúrios, declamei meu texto.
Mas apagaram-se as luzes todas.
E era eu que encenava.
Era meu coração nunca antes revelado.
Eram meus sonhos. Bobos, infantis, impossíveis, mas meus.
Era eu transformando em palavras o que meus olhos sempre quiseram dizer.
Era eu em cartaz, mas ninguém viu.
Ultrassom 1 - 6 semanas e 4 dias
Aí o médico mostrou na tela uma manchinha pisca-pisca:
- Tá vendo ali? É o coração funcionando.
Meus olhos se encheram de água e procuraram os olhos da Rejane.
Minha mão procurou a dela também, a gente sorriu e eu aprendi uma lição.
Antes de ser bonito ou feio. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Loiro ou castanho.
Muito antes da aparência. Do caráter e da inteligência.
Antes de qualquer coisa,
somos apenas um coração pulsando apressada e barulhentamente para viver.
Muito antes de tudo, somos apenas amor.
E a partir deste dia, você ganhou seu primeiro nome.
Passamos a chamá-lo de Coraçãozinho.
- Tá vendo ali? É o coração funcionando.
Meus olhos se encheram de água e procuraram os olhos da Rejane.
Minha mão procurou a dela também, a gente sorriu e eu aprendi uma lição.
Antes de ser bonito ou feio. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Loiro ou castanho.
Muito antes da aparência. Do caráter e da inteligência.
Antes de qualquer coisa,
somos apenas um coração pulsando apressada e barulhentamente para viver.
Muito antes de tudo, somos apenas amor.
E a partir deste dia, você ganhou seu primeiro nome.
Passamos a chamá-lo de Coraçãozinho.
Regresso
Toda vez que volto pra casa eu sei que vou te encontrar.
E por mais que não te encontre, te procuro.
Nas ruas, nos cômodos, nas músicas.
Nos olhos de quem ficou.
Nunca te vejo além do meu pensamento, mas ouço seu sorriso todo o tempo.
Por mais que você nunca volte, te espero.
Como se você fosse aparecer de repente, estranhando meu espanto.
Aí eu entederia.
Fui eu quem estive longe. Como sempre imaginando coisas.
E por mais que não te encontre, te procuro.
Nas ruas, nos cômodos, nas músicas.
Nos olhos de quem ficou.
Nunca te vejo além do meu pensamento, mas ouço seu sorriso todo o tempo.
Por mais que você nunca volte, te espero.
Como se você fosse aparecer de repente, estranhando meu espanto.
Aí eu entederia.
Fui eu quem estive longe. Como sempre imaginando coisas.
Para meu irmão
Tudo o que não existiu traz consigo a dor de não ter nascido.
E sem a chance de acontecer, morreu para sempre.
Momentos jamais vividos. Palavras e segredos não partilhados.
O sorriso que não se abriu. O abraço que se perdeu.
A falta do que não fomos e do que prometíamos ser.
Faz tanto tempo que vi seu último sorriso, mas minha memória persiste em ouví-lo.
Se repetindo, indo, indo, indo, indo, indo…
Quem dera tirar você do meu sonho e abraçá-lo só mais uma vez.
E sem a chance de acontecer, morreu para sempre.
Momentos jamais vividos. Palavras e segredos não partilhados.
O sorriso que não se abriu. O abraço que se perdeu.
A falta do que não fomos e do que prometíamos ser.
Faz tanto tempo que vi seu último sorriso, mas minha memória persiste em ouví-lo.
Se repetindo, indo, indo, indo, indo, indo…
Quem dera tirar você do meu sonho e abraçá-lo só mais uma vez.
Extraviados
Não pergunte por meus sonhos. Eles não estão aqui comigo.
Talvez tenham ficado pelas casas onde vivi.
Entre páginas de livros
Em algum canto dos quintais da minha infância.
Ou em alguma cena antiga que não vai mais se repetir.
Talvez meu irmão os tenha levado
como quem empresta algo não importante o bastante para ser devolvido.
Talvez tenham caído pelo caminho.
Talvez tanta coisa.
Não pergunte por meus sonhos. Eles não estão aqui comigo.
E pra dizer a verdade,
não sei se os guardei ou se os perdi.
Talvez tenham ficado pelas casas onde vivi.
Entre páginas de livros
Em algum canto dos quintais da minha infância.
Ou em alguma cena antiga que não vai mais se repetir.
Talvez meu irmão os tenha levado
como quem empresta algo não importante o bastante para ser devolvido.
Talvez tenham caído pelo caminho.
Talvez tanta coisa.
Não pergunte por meus sonhos. Eles não estão aqui comigo.
E pra dizer a verdade,
não sei se os guardei ou se os perdi.
Saudade
O sol nunca se põe sem eu ter imaginado como seria se você ainda estivesse aqui.
O que vai ser dos nossos planos. Seus sonhos.
Da minha vida que ainda não aconteceu.
Vai ser difícil sem você,
porque sua lembrança ainda vive em mim.
E eu sei que vai ser assim até o último dia da minha vida.
Eu sou um pouco de você. E você,
por também ser um pouco de mim,
levou consigo um pedaço meu quando partiu.
Agora sigo assim
incompleto, cinza e oco.
Sentindo frio e dor cada vez que o vento toca a minha face.
O que vai ser dos nossos planos. Seus sonhos.
Da minha vida que ainda não aconteceu.
Vai ser difícil sem você,
porque sua lembrança ainda vive em mim.
E eu sei que vai ser assim até o último dia da minha vida.
Eu sou um pouco de você. E você,
por também ser um pouco de mim,
levou consigo um pedaço meu quando partiu.
Agora sigo assim
incompleto, cinza e oco.
Sentindo frio e dor cada vez que o vento toca a minha face.
Última Carta
Sua última carta foi pra mim.
Como cicatriz de infância ela ainda existe.
Um canto aqui dentro continua relendo-a,
ouvindo as palavras que brotaram da sua mão de unhas carcomidas curtinhas.
Minha resposta, podia apenas dizer que eu amava você e que me achava a pessoa mais sortuda do mundo por ter num irmão meu melhor amigo.
Podia ter dito apenas que a sua amizade me trazia paz, porque eu tinha certeza de que ela duraria para sempre. E para sempre eu teria você comigo.
Mas minha carta levava o Soneto da Separação para você.
Seria coincidência? Telepatia?
Hoje sei que tudo foi um aviso.
Hoje entendo que aquelas palavras bonitas, eram na verdade palavras de adeus.
Como cicatriz de infância ela ainda existe.
Um canto aqui dentro continua relendo-a,
ouvindo as palavras que brotaram da sua mão de unhas carcomidas curtinhas.
Minha resposta, podia apenas dizer que eu amava você e que me achava a pessoa mais sortuda do mundo por ter num irmão meu melhor amigo.
Podia ter dito apenas que a sua amizade me trazia paz, porque eu tinha certeza de que ela duraria para sempre. E para sempre eu teria você comigo.
Mas minha carta levava o Soneto da Separação para você.
Seria coincidência? Telepatia?
Hoje sei que tudo foi um aviso.
Hoje entendo que aquelas palavras bonitas, eram na verdade palavras de adeus.
17 de julho de 1996
Foi tudo tão perfeito
Nem percebemos tratar-se de uma despedida.
Agimos como donos da festa
sem desconfiar que éramos convidados apenas.
E essa saudade. Hoje sei. Era ela a anfitriã.
E eu, que nunca a quis nem de longe, sou sua casa agora.
Nem percebemos tratar-se de uma despedida.
Agimos como donos da festa
sem desconfiar que éramos convidados apenas.
E essa saudade. Hoje sei. Era ela a anfitriã.
E eu, que nunca a quis nem de longe, sou sua casa agora.
Flor Amarela
Olhos antes de admirar e inventar desenhos agora apenas procuram a estrela onde você mora.
Mas o céu emudeceu como há muito não se esperava.
Então contento-me com meu sono que imagina, sempre por tão pouco tempo, o seu lugar e coisas que nunca me lembro bem.
Um campo. Tem um campo e nós.
Um campo de florzinhas amarelas e um lago cristalino com pedras grandes ao redor.
Tudo dentro de uma luz dourada, tênue e morna.
Existe realmente? Ou seria invenção?
Daquelas que o coração inventa quando sente a saudade que apaga o brilho das coisas.
Mas o céu emudeceu como há muito não se esperava.
Então contento-me com meu sono que imagina, sempre por tão pouco tempo, o seu lugar e coisas que nunca me lembro bem.
Um campo. Tem um campo e nós.
Um campo de florzinhas amarelas e um lago cristalino com pedras grandes ao redor.
Tudo dentro de uma luz dourada, tênue e morna.
Existe realmente? Ou seria invenção?
Daquelas que o coração inventa quando sente a saudade que apaga o brilho das coisas.
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