segunda-feira, 6 de julho de 2009

Memórias endurecidas

Onde estava quando mais precisei?
Por onde andava quando a noite chegou
e a neve bloqueou a porta?

A lareira há muito se apagou.
E sem uma única madeira
o frio cortante se tornou minha companhia.

A dispensa está vazia, a água congelou na torneira
e eu não me lembro mais do seu rosto.
Tento abrir um sorriso sarcástico,
mas minha boca arde e sangra.

Agora não importa mais
porque no fundo eu sempre soube.

Ninguém daria pela falta
desse corpo débil e dessa mente velha, mal cheirosa.
Ninguém tentaria enfrentar essa tormenta.
Afinal, fui eu quem se isolou do mundo. Fui eu, não foi?

Ninguém ousaria encarar este rosto
e as lembranças que dele despertariam.
Eu sabia... ninguém se jamais se importaria.
Por isso, morri.

2 comentários:

  1. Pra ficar completo só faltou algumas fotos...
    Assim a nossa imaginação iria além... rsss
    Gostei!
    Enacanta!

    Até Sempre...
    Rosiene *-;*

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  2. Não sabia que você escrevia tão bem.
    Que tal publicar um livro?
    Eu adoraria ter alguns comigo e dar de presente para meus amigos (com orgulho).
    Adorei!!!!!!!!
    Parabéns!!!!!!!!
    beijos

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