terça-feira, 23 de junho de 2009

Última Carta

Sua última carta foi pra mim.
Como cicatriz de infância ela ainda existe.

Um canto aqui dentro continua relendo-a,
ouvindo as palavras que brotaram da sua mão de unhas carcomidas curtinhas.

Minha resposta, podia apenas dizer que eu amava você e que me achava a pessoa mais sortuda do mundo por ter num irmão meu melhor amigo.
Podia ter dito apenas que a sua amizade me trazia paz, porque eu tinha certeza de que ela duraria para sempre. E para sempre eu teria você comigo.

Mas minha carta levava o Soneto da Separação para você.
Seria coincidência? Telepatia?
Hoje sei que tudo foi um aviso.
Hoje entendo que aquelas palavras bonitas, eram na verdade palavras de adeus.

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