Não sei se faz 15 ou 16 anos.
Só sei que a saudade continua aqui.
Dolorida e seca e de pele cinza.
Nunca esperei e nem quis que ela partisse.
Mas esperava que se transformasse
numa lembrança doce como diziam médiuns iluminados,
repletos de si e de luz.
Mas a verdade é que fui só eu quem mudou.
Fui eu quem perdeu o viço e o gosto.
Foi a mim que o tempo transformou
em algo sem graça e sem fé.
E mais e depois da saudade, veio o medo.
Sempre o medo
de perder.
Mais alguém.
Que levaria consigo
o pouco que resta de mim.
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