segunda-feira, 29 de junho de 2009

Antônio

Me apaixonei assim que chegaste.
E por mais que já imaginasse, a cada dia sinto que sou mais seu e você mais meu.

A doçura nos seus olhos, a felicidade no seu sorriso, a paz no seu sono.

Tudo o que vem de você me emociona com a força de todas as ondas do mar.
Volta logo meu reizinho. Papai sofre a esperar.

domingo, 28 de junho de 2009

Sem você

Sem você eu sou um nada.
A porta fecha.
O céu desaba.
Sem vão, nem brecha a voz se cala.

Sem você eu não existo.
O doce fica azedo. O riso, dolorido.
Sob a dor da tua ausência
até segundos são compridos.

Quando você vai.
Meu mundo inteiro vai contigo.
A graça se perde não se acha.
Nenhuma sombra dá abrigo.

As cores, apagaram-se todas.
Tudo o que é música silenciou.
O sangue gela. A vida seca.
Sem você é assim que eu sou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Epitáfio

O que você vê quando se olha no espelho?
O que você sente quando se encara de frente sem máscaras, sem subterfúgios, sem cenário algum?

Nem brilhante, nem estúpido, nem bonito, nem feio.
Nem louco e nem são.
Meu reflexo oscila num meio termo desinteressante e morno.
Minha presença é comum e pálida. Minha conversa, cansativa e previsível.

Nenhuma casa se sentirá vazia quando eu me for porque minha presença jamais preencheu espaço algum.

Nunca fui o filho preferido ou o neto predileto.
Só fui uma criança calada que nunca soube jogar futebol.
Só fui passando silencioso e despercebido.
Só fui eu mesmo.
Um a mais entre tantos. Mais um entre muitos.

Vazio

Não adianta bater,
não há mais ninguém aqui dentro.
Todos se foram
levando o brilho que em meus olhos habitava.

Pra onde e por quê, ninguém soube.
Meu Deus, onde foi que perdí-me?

Antigamente havia qualquer coisa de cintilante.
uma aura, morna e clara e irresistivelmente tola.
Haviam sonhos e histórias inventadas.
Havia?
Não sei mais.

Em cartaz

Não, não haviam luzes.
Havia apenas eu no palco.

Na escuridão, gesticulei minha história.
Entre murmúrios, declamei meu texto.

Mas apagaram-se as luzes todas.
E era eu que encenava.
Era meu coração nunca antes revelado.
Eram meus sonhos. Bobos, infantis, impossíveis, mas meus.

Era eu transformando em palavras o que meus olhos sempre quiseram dizer.

Era eu em cartaz, mas ninguém viu.

Ultrassom 1 - 6 semanas e 4 dias

Aí o médico mostrou na tela uma manchinha pisca-pisca:
- Tá vendo ali? É o coração funcionando.
Meus olhos se encheram de água e procuraram os olhos da Rejane.
Minha mão procurou a dela também, a gente sorriu e eu aprendi uma lição.

Antes de ser bonito ou feio. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Loiro ou castanho.
Muito antes da aparência. Do caráter e da inteligência.

Antes de qualquer coisa,
somos apenas um coração pulsando apressada e barulhentamente para viver.

Muito antes de tudo, somos apenas amor.

E a partir deste dia, você ganhou seu primeiro nome.
Passamos a chamá-lo de Coraçãozinho.

Regresso

Toda vez que volto pra casa eu sei que vou te encontrar.

E por mais que não te encontre, te procuro.
Nas ruas, nos cômodos, nas músicas.
Nos olhos de quem ficou.

Nunca te vejo além do meu pensamento, mas ouço seu sorriso todo o tempo.

Por mais que você nunca volte, te espero.
Como se você fosse aparecer de repente, estranhando meu espanto.

Aí eu entederia.

Fui eu quem estive longe. Como sempre imaginando coisas.

Para meu irmão

Tudo o que não existiu traz consigo a dor de não ter nascido.
E sem a chance de acontecer, morreu para sempre.

Momentos jamais vividos. Palavras e segredos não partilhados.

O sorriso que não se abriu. O abraço que se perdeu.
A falta do que não fomos e do que prometíamos ser.

Faz tanto tempo que vi seu último sorriso, mas minha memória persiste em ouví-lo.
Se repetindo, indo, indo, indo, indo, indo…
Quem dera tirar você do meu sonho e abraçá-lo só mais uma vez.

Extraviados

Não pergunte por meus sonhos. Eles não estão aqui comigo.

Talvez tenham ficado pelas casas onde vivi.
Entre páginas de livros
Em algum canto dos quintais da minha infância.
Ou em alguma cena antiga que não vai mais se repetir.

Talvez meu irmão os tenha levado
como quem empresta algo não importante o bastante para ser devolvido.
Talvez tenham caído pelo caminho.

Talvez tanta coisa.

Não pergunte por meus sonhos. Eles não estão aqui comigo.
E pra dizer a verdade,
não sei se os guardei ou se os perdi.

Saudade

O sol nunca se põe sem eu ter imaginado como seria se você ainda estivesse aqui.
O que vai ser dos nossos planos. Seus sonhos.
Da minha vida que ainda não aconteceu.

Vai ser difícil sem você,
porque sua lembrança ainda vive em mim.
E eu sei que vai ser assim até o último dia da minha vida.
Eu sou um pouco de você. E você,
por também ser um pouco de mim,
levou consigo um pedaço meu quando partiu.

Agora sigo assim
incompleto, cinza e oco.
Sentindo frio e dor cada vez que o vento toca a minha face.

Última Carta

Sua última carta foi pra mim.
Como cicatriz de infância ela ainda existe.

Um canto aqui dentro continua relendo-a,
ouvindo as palavras que brotaram da sua mão de unhas carcomidas curtinhas.

Minha resposta, podia apenas dizer que eu amava você e que me achava a pessoa mais sortuda do mundo por ter num irmão meu melhor amigo.
Podia ter dito apenas que a sua amizade me trazia paz, porque eu tinha certeza de que ela duraria para sempre. E para sempre eu teria você comigo.

Mas minha carta levava o Soneto da Separação para você.
Seria coincidência? Telepatia?
Hoje sei que tudo foi um aviso.
Hoje entendo que aquelas palavras bonitas, eram na verdade palavras de adeus.

17 de julho de 1996

Foi tudo tão perfeito
Nem percebemos tratar-se de uma despedida.
Agimos como donos da festa
sem desconfiar que éramos convidados apenas.
E essa saudade. Hoje sei. Era ela a anfitriã.

E eu, que nunca a quis nem de longe, sou sua casa agora.

Flor Amarela

Olhos antes de admirar e inventar desenhos agora apenas procuram a estrela onde você mora.

Mas o céu emudeceu como há muito não se esperava.
Então contento-me com meu sono que imagina, sempre por tão pouco tempo, o seu lugar e coisas que nunca me lembro bem.

Um campo. Tem um campo e nós.

Um campo de florzinhas amarelas e um lago cristalino com pedras grandes ao redor.
Tudo dentro de uma luz dourada, tênue e morna.

Existe realmente? Ou seria invenção?
Daquelas que o coração inventa quando sente a saudade que apaga o brilho das coisas.

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